sábado, 13 de agosto de 2011

Infância


Lembro-me de quando eu era apenas uma bebezinha, uma criancinha de 4 anos, como era bom correr pelo quintal de calcinha, ter atenção de todos, brincar na lama, passar de baixo da cerca para ir brincar com os amiguinhos na cada da vizinha, e assim os anos foram passando, lembro que com 8 anos era a mesma alegria, correr, cair, levantar caladinha sem chorar pra continuar brincando, alegria de criança esta nas pequenas coisinhas, lembro que tudo era descoberta, lembro de meus castelos encima da goiabeira, lembro do meu quarto no pé de cajá manga, onde morava eu, a Aninha e o Douglas, amigos de infância. Lembro do dia em que nosso amado pé de cajá manga estava com seus galhos fracos de tanto agente pular neles e o nosso preferido começou a quebrar, ficamos desesperados, então na nossa pequena inocência e com a melhor intenção do mundo pegamos mertiolate e passamos aonde estava começando a quebrar, pegamos uma faixa e amaramos La, e prometemos não pular nele ate ele sarar, dias passaram e agente com o mesmo cuidado, ate que ele sarou, acho que foi o dia mas feliz de nossas vidas, ver que nosso pé de cajá manga estava bem novamente, há como era bom ser criança.
Lembro do pique - esconde no meio da rua a noitezinha, das goiabas que comi lá encima da goiabeira, lembro de cada cicatriz no joelho, cata tombo, cada molecagem.
Lembro do dia em que eu e Douglas colocamos fogo na bananeira da vizinha, éramos crianças descobrindo um novo mundo, lembro de nossa inocência com um isqueiro na mão, tentando fazer uma fogueira com folhas secas da bananeira, e derrepende o fogo subiu e se alastrou por todas bananeiras que havia por lá, e nos apavoramos, e começamos a tentar apagar o fogo com dois copinhos de alumínio que agente tinha lá, nossas mães chegaram assustadas e apagaram o fogo, lembro que comecei a chorar de medo de apanhar, mamãe me sentou e falou que eu não devia ter feito aquilo, mas que ela não iria me bater pois sabia que não foi a minha intenção nem a de Douglas, então na semana seguinte eu e Douglas pegamos um ovo da galinha da avó dele para ver se tinha pintinho dentro, há como era bom ser criança, como era bom cada pequena descoberta.
Lembro do dia em q eu vi pela primeira vez um casulo de borboleta, mostrei para mamãe e ela me contou o que era, fiquei tão encantada com tudo aquilo e todas as tardes sentava de baixo da galha do pé de acerola, onde estava o casulo, para ver a borboleta nascer, em um dia quando fui ver, não havia mas nada lá, apenas o casulo vazio, chorei tanto, e soluçando perguntei para mamãe onde estava minha borboleta, ela rindo me levou para fora e falo que quando eu quisesse ver minha borboleta era só ir no jardim, porque onde tive flores bonitas minha borboleta estaria, então mamãe apontou uma borboleta para mim e disse que era a minha, há como ela era linda, branca, e voava rápido, sai correndo atrás dela e fiquei durante horas olhando para ela naquele fascínio.
Lembro das vezes que deitei no chão a noite só pra olhar pro céu, e lembro-me do dia que peguei a lanterna de papai, na esperança de iluminar o céu com ela e vi que a luz era fraca de mais para alcançar tal distancia.
Anos se passaram e fui crescendo e mudando, mas não mudei tanto, continuo aquela menina risona, brincalhona de antes, que adora subir em arvore, que aprendeu a engolir o choro depois de cair, só pra continuar brincando, aquela que não tão inocente como antes, mas ainda acredita na pureza do mundo.

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